Nova York a seus pés – Como fotografar esta cidade.

Vista do Top of the Rock para o Empire State

Estações do ano muito bem definidas, com neve no inverno, sol e céu azul no verão, flores na  primavera e muita folha seca durante o outono. Parques maravilhosos, rio, mar, parque de diversões, arranha-céus e outras paisagens inspiradoras. Museus com milhares de pinturas que são uma verdadeira aula de luz e composição para fotógrafos. Para quem gosta de fotografia de rua, arquitetura, agito urbano, retratos do cotidiano ou imagens aéreas. Esta é a fotogênica Nova York, fonte inesgotável de cenários para todo tipo de olhar.

Alexandre Suplicy na Ponte do Brooklyn em Nova YorkAdriana Bittar no metro de Nova York

Desbravar a cidade é o melhor jeito de conseguir boas fotos. Quando estou em Nova York, procuro andar bastante a pé ou de metrô. Por isso, a escolha dos equipamentos é fundamental. Levo o mínimo de peso possível, uma mirrorless Sony Alpha a7 III com a zoom grande angular 10-24 mm f/4 para paisagem e arquitetura, a versátil zoom 24-105 mm f/4 mais versátil e a fixa 55 mm f/1.8 para retratos Minha opção pelas lentes de abertura máxima f/4 é pelo fato de serem mais leves, menores e mais baratas que as f/2.8. A diferença de luminosidade não faz tanta diferença assim.

Equipamentos levados por Alexandre Suplicy - Mochila Peak Design

O equipamento vai dentro de uma mochila de 20 litros da Peak Design com um tripé.  Durante o dia uso um gorillaPod pequeno e, à noite, um de fibra de carbono maior. Levo também um kit de limpeza para tirar a sujeira da lente e do sensor, além de baterias extras e cartões de memória.

Para otimizar o trabalho de fotografar a cidade, um bom planejamento ajuda. Marco no mapa o que pretendo fazer, e depois agrupo tudo que fica nos arredores para fazer no mesmo dia. Outra dica importante é acordar cedo, de preferência antes dos turistas, pois a maioria dos pontos fica lotado depois das 10h. O ideal é aproveitar a luz especial do amanhecer e deixar o café da manhã para mais tarde.

Brooklyn Bridge

NY Vista de baixo

Na minha sugestão de roteiro, a dica é começar pelo Central Park, considerado um oásis no centro da ilha de Manhattan. Inaugurado em 1857, ocupa uma área de 3,41 km2 e tem diversas atrações, como monumentos, cafés, zoológico e até o Metropolitan Museum of Art (MET). Há muito o que fotografar nesse parque mostrado milhares de vezes em filmes e séries de tevê TV e que é muito frequentado por novaiorquinos e turistas.

 Um lugar icônico no Central Park é o memorial Strawberry Fields, inaugurado em 9 de outubro de 1985, dia em que John Lennon completaria 45 anos (ele foi assassinado em Nova York em 8 de dezembro de 1980). Vários países doaram mudas de árvore para compor os dois acres de área do memorial, que tem um famoso mosaico, doado pelo governo italiano, como peça central.

memorial Strawberry Fields

Para a foto que fiz lá, usei posição 16 mm da zoom para mostrar o mosaico, o sol nascendo e o parque (ajustei f/8 para ficar tudo em foco, 1/40s para não tremer e ISO 200).

Ponto emblemático da cidade, a Grand Central Station, considerada a maior estação ferroviária do mundo, é outro lugar que gera muitas imagens interessantes. O interior é lindo, sempre com muita movimentação de pessoas. A fachada também vale a pena ser fotografada.

Grand Central Station

No meu caso, optei por fazer a fachada com o Chrysler Building ao fundo. Novamente com a zoom em 16 mm, mas dessa vez com a câmera no tripé. Ajustei f/4, ISO 200 e velocidade de 0,6 segundos para captar a luz e ainda congelar alguns elementos da cena.

A Ponte do Brooklyn, outro cartão-postal da cidade também é imperdível. Mas para ter um ângulo diferenciado, a dica é atravessá-la para o lado do bairro que é moda na cidade, o D.U.M.B.O. (sigla para Down Under Manhattan Bridge Overpass, ou seja, o distrito que fica abaixo da Ponte de Manhattan que, por sua vez, está ao lado da Ponte do Brooklyn). É um lugar descolado, com diversos restaurantes, lojas e uma vista incrível do skyline da cidade. Na beira do Rio East, logo abaixo da Ponte do Brooklyn, há um parque e o famoso carrossel Jane’s.

Dumbo

Acessando a rua Washington, tem-se vista para a Ponte de Manhattan. É um ponto disputadíssimo por fotógrafos profissionais e turistas em geral. Se quiser ter a rua só para você, melhor chegar bem cedo ou ir à noite. Nesse meio tempo aproveite para explorar e se encantar pelo bairro.

Washington Street

Para fazer a foto no local, usei a zoom em posição de 24 mm, selecionei f/10 para focar desde o bueiro até a ponte ao fundo, 1/13s e ISO 100.

NYC vista de cima

Como é quase impossível conseguir autorização para usar um drone em Nova York, uma das maneiras de se ter um ponto de vista do alto é procurar os mirantes da cidade. O mais famoso é o Empire State Building, mas há o clássico Top of the Rock e o mais recente, o One WTC. O Empire State fica aberto das 8h às 2h da manhã e tem uma vista maravilhosa para o sul da ilha de Manhattan. Um detalhe importante: em nenhum desses prédios é permitido o uso de tripés normais, apenas os pequenos (de mesa) como o GorillaPod. Para fotos diurnas você provavelmente não vai precisar de um, mas para registros noturnos, é essencial.

Adriana Bittar no Top of the Rock observando o Empire State

Já o Top of Rock tem a grande vantagem de permitir que você enquadre o soberano e icônico Empire State. A vista é realmente mais atraente, já que é possível admirar um dos símbolos da cidade. Além disso, o terraço de lá é mais amplo e tem menos grades – mas fique atento, pois o pôr do sol é bem concorrido. Existe um ingresso que permite que você o visite duas vezes no mesmo dia. Por isso, recomendo ir pela manhã e voltar para o pôr do sol, ficando até o anoitecer – no dia em que fotografei, o terraço estava lotado e praticamente não dava para chegar perto da beirada;

Vista do Top pf the Rock

Para captar o crepúsculo, segurei a câmera bem alto e usei fixa 55 mm ajustando f/2.2, 1/160s e ISO 250. O horário de funcionamento é das 8h à 0h.

No One WTC a experiência da subida é um show a parte. As paredes do elevador ultrarrápido são, na realidade, imensos painéis LCD que vão contando a história da cidade em 88 segundos, o tempo que se leva para subir os 101 andares (ou cerca de 500 metros de altura). Lá em cima, a vista é inspiradora, especialmente para as pontes do Brooklyn e de Manhattan. Mas é proibido o uso de qualquer tipo de tripé, inclusive os bem pequenos, e sempre haverá vidro à frente. Um filtro polarizador ou um pano preto para fazer uma cabana entre o vidro e a lente podem ajudar bastante para tirar o reflexo. O jeito é se adaptar: praticamente “colar” a lente no vidro e tentar apoiar a câmera na mochila, prendendo a respiração, para as fotos noturnas.

Vista do One WTC

Nesse mirante, fotografei as pontes de Manhattan e do Brooklyn Bridge com a 55 mm, ajustando f/4, ISO 250 e 6 segundos de exposição.

Além desses, a cidade tem diversos outros mirantes e roof tops (terraços com vista panorâmica), a maioria em restaurantes, bares e hotéis, com vistas incríveis. Vale vale a pena pesquisar na internet, pois há muitas opções.

 

Voar para fotografar

www.FlyonNY.com

E a outra opção, não menos fantástica é sobrevoar a cidade de helicóptero em voos de 16 ou 30 minutos passando pelos pontos mais famosos da Big Apple.

Vista aerea de Manhattan

Você pode escolher uma aeronave com ou sem portas, mas o custo é um pouco salgado (a partir de US$ 180.00). Fiz um voo desses e a experiência é incrível.

Chrysler Building

Fiz meu voo de helicóptero com a www.FlyonNY.com em uma aeronave sem portas, na verdade é um helicóptero normal que eles retiram a porta para o vôo. Na opção Door Off, você vai amarrado por uma cinta e fica praticamente debruçado sobre a cidade. Mas não pense que é fácil fotografar lá de cima. O vento e a vibração atrapalham muito. Por isso, se você não tiver experiência em fotografia aérea, recomendo fazer o vôo diurno.

Empire State

O helicóptero decolou logo após o pôr do sol e a paisagem era deslumbrante. Levei a zoom 24-105 f/4 na Sony a7 III. Depois, conclui que teria sido melhor uma lente mais clara, como uma 16 mm f/1.4, para não ter que puxar tanto o ISO. Na manhã seguinte saí para um segundo vôo. Havia bastante névoa, mas dei sorte e o tempo abriu minutos depois – aliás, em Nova York o clima é sempre uma loteria; se não estiver chovendo ou com muita neblina, sempre dá para aproveitar.

Vista aerea de Manhattan

Meca do equipamento

BH Photo

Nova York é também a Meca de quem quer comprar equipamento fotográfico. O dólar não está muito favorável, mas mesmo assim ainda vale a pena. Logo que cheguei, passei nas lojas B&H e Adorama para conferir a novidades. Se for o caso, aproveito para comprar o que está faltando. As duas são um verdadeiro parque de diversões para fotógrafos e cinegrafistas. Você encontra tudo o que imaginar, de todas as marcas e preços. Alguns vendedores até falam português – e outro diferencial é que você pode testar tudo antes de comprar.

BH Photo

Fique atento aos horários: na B&H (420 9th Avenue), por motivos religiosos (os donos são judeus), a loja fecha as sextas às 13h, não abre no sábado e retoma aos domingos das 10h às 18h. Nos outros dias funciona normalmente, das 9h às 19h. Já a Adorama (42 W 18th Street) funciona praticamente da mesma forma, segunda à quinta das 9h às 20h, sexta das 9h às14h, fecha sábado e domingo das 9h30 às 17h.

Descontos

Outra dica bem legal é usar o New York CityPass ele é vendido em duas opções, para 6 ou 3 atrações e além de ter um desconto de até 42% você não pega fila nas principais atrações.

New York CityPass

Vista do Cruzeiro em Manhattan

Adriana Bittar na Oculus Station

O fato é que Nova York é apaixonante de qualquer ângulo. O importante é bater bastante perna e estar sempre atento aos cenários.  Mais informações www.alexandresuplicy.com.

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